Os problemas são diversos e a procura
por médicos só ocorrem após as complicações
O adolescente passa por muitas fases de transições,
nesse período é muito comum o desejo de fazer uma tatuagem ou colocar um
piercing. Mas podem ocorrer problemas na saúde dos jovens quando essa vontade é
realizada, especialmente infecções, de acordo com o CODEPPS (Coordenação de Desenvolvimento de Programas e
Políticas de Saúde), é a razão de mais de 75% das procuras por serviços
de saúde nesses casos.
Um significado especial ou uma simples
moda, os motivos que levam os adolescentes a se submeterem ao risco são vários,
assim como os problemas que podem ter. O local precário e com a falta de
vigilância sanitária no Brasil agravam os problemas. Como a alergia da tinta da
tatuagem, que pode começar com uma pequena vermelhidão no local ou uma coceira,
em casos mais graves quando o material não é descartável, tanto nos
procedimentos de tatuagens quanto os de piercings, existe o risco de
transmissão de doenças infecto-contagiosas como HIV e hepatites B e C,
além da infecção no local de colocação.
“Esta infecção local pode acontecer
em qualquer situação, mesmo quando as condições de higiene são boas, mas é
óbvio que quando as condições de higiene são precárias e o indivíduo não tem
cuidado com o piercing após a colocação o risco é maior. O piercing pode
desencadear a formação de quelóides.”, Explica a Dra. Talita Poli Biason, 36
anos, Hebiatra da Clínica de Adolescência do Departamento de Pediatria-
Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo.
A adolescente, Giulia Moretti, 19 anos,
que mora em Santo André, fez sua primeira tatuagem com 14 anos, mesmo sabendo
dos riscos que corria. A princípio a mãe dela negou, mas imaginava que era algo
que a filha um dia pretenderia fazer. ”Quanto a problemas de alergia, entre
outros, eu deixei bem claro que, se ela foi mulher suficiente pra burlar as
minhas regras, ela teria que aguentar todo o resto.'', Simona Apolonio, 48
anos, mãe da jovem. Giulia tem oito tatuagens agora e não teve nenhum
agravamento na saúde, “se eu tivesse tido algum problema, teria ido ao
dermatologista pra fazer o teste de alergia antes e com certeza teria feito
mais pra que não ocorresse algo.”, Afirma a adolescente.
Os jovens entendem os
riscos que correm, mas por terem o pensamento comum de que nada vai acontecer
com eles, o médico sempre deve orientá-lo e o trazer para a realidade. Quando
não há problemas de saúde no indivíduo a preocupação se torna menor, mas os
jovens com determinados problemas devem evitar o procedimento. Imunodepressão
ou formação de quelóides, antecipadamente, são alguns dos problemas que podem
agravar após o procedimento.
Quando vem o arrependimento
A
adolescência também é marcada por mudanças, inclusive de pensamentos, e a
tatuagem pode fazer parte desse processo. O que não sabem é da imensa
dificuldade de retirada, são mais de dez sessões à laser, fora o custo
altíssimo que não é coberto por planos de saúde ou pela rede pública de todo
estado de São Paulo, incluindo a região do ABC.
“Os riscos são maiores que os da aplicação porque em cada sessão da remoção poderá surgir complicações. Caso o paciente tenha psoríase, vitiligo, líquen ou lupus poderá surgir uma nova lesão dessa doença exatamente na área da tatuagem.”, afirma o Dr. Cid Yazigi Sabbag, Professor Adjunto de Dermatologia do Hospital Ipiranga.
“Os riscos são maiores que os da aplicação porque em cada sessão da remoção poderá surgir complicações. Caso o paciente tenha psoríase, vitiligo, líquen ou lupus poderá surgir uma nova lesão dessa doença exatamente na área da tatuagem.”, afirma o Dr. Cid Yazigi Sabbag, Professor Adjunto de Dermatologia do Hospital Ipiranga.
(Matéria feita em março de 2012)
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