terça-feira, 12 de junho de 2012

Adolescentes sofrem agravamentos na saúde após a realização de tatuagens e piercings


Os problemas são diversos e a procura por médicos só ocorrem após as complicações

O adolescente passa por muitas fases de transições, nesse período é muito comum o desejo de fazer uma tatuagem ou colocar um piercing. Mas podem ocorrer problemas na saúde dos jovens quando essa vontade é realizada, especialmente infecções, de acordo com o CODEPPS (Coordenação de Desenvolvimento de Programas e Políticas de Saúde), é a razão de mais de 75% das procuras por serviços de saúde nesses casos.

Um significado especial ou uma simples moda, os motivos que levam os adolescentes a se submeterem ao risco são vários, assim como os problemas que podem ter. O local precário e com a falta de vigilância sanitária no Brasil agravam os problemas. Como a alergia da tinta da tatuagem, que pode começar com uma pequena vermelhidão no local ou uma coceira, em casos mais graves quando o material não é descartável, tanto nos procedimentos de tatuagens quanto os de piercings, existe o risco de transmissão de doenças infecto-contagiosas como HIV e hepatites B e C, além da infecção no local de colocação.

“Esta infecção local pode acontecer em qualquer situação, mesmo quando as condições de higiene são boas, mas é óbvio que quando as condições de higiene são precárias e o indivíduo não tem cuidado com o piercing após a colocação o risco é maior. O piercing pode desencadear a formação de quelóides.”, Explica a Dra. Talita Poli Biason, 36 anos, Hebiatra da Clínica de Adolescência do Departamento de Pediatria- Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo.

A adolescente, Giulia Moretti, 19 anos, que mora em Santo André, fez sua primeira tatuagem com 14 anos, mesmo sabendo dos riscos que corria. A princípio a mãe dela negou, mas imaginava que era algo que a filha um dia pretenderia fazer. ”Quanto a problemas de alergia, entre outros, eu deixei bem claro que, se ela foi mulher suficiente pra burlar as minhas regras, ela teria que aguentar todo o resto.'', Simona Apolonio, 48 anos, mãe da jovem. Giulia tem oito tatuagens agora e não teve nenhum agravamento na saúde, “se eu tivesse tido algum problema, teria ido ao dermatologista pra fazer o teste de alergia antes e com certeza teria feito mais pra que não ocorresse algo.”, Afirma a adolescente.

Os jovens entendem os riscos que correm, mas por terem o pensamento comum de que nada vai acontecer com eles, o médico sempre deve orientá-lo e o trazer para a realidade. Quando não há problemas de saúde no indivíduo a preocupação se torna menor, mas os jovens com determinados problemas devem evitar o procedimento. Imunodepressão ou formação de quelóides, antecipadamente, são alguns dos problemas que podem agravar após o procedimento.

Quando vem o arrependimento

A adolescência também é marcada por mudanças, inclusive de pensamentos, e a tatuagem pode fazer parte desse processo. O que não sabem é da imensa dificuldade de retirada, são mais de dez sessões à laser, fora o custo altíssimo que não é coberto por planos de saúde ou pela rede pública de todo estado de São Paulo, incluindo a região do ABC.
Os riscos são maiores que os da aplicação porque em cada sessão da remoção poderá surgir complicações. Caso o paciente tenha psoríase, vitiligo, líquen ou lupus poderá surgir uma nova lesão dessa doença exatamente na área da tatuagem.”, afirma o Dr. Cid Yazigi Sabbag, Professor Adjunto de Dermatologia do Hospital Ipiranga. 

(Matéria feita em março de 2012)

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